25 March 2015

Three Baby Jumpsuits :: Três Macaquinhos de Bebé


Acho que encontrei o meu molde preferido de roupa de bebé: o Simplicity 8989 de 1970. O Pedro está a precisar de roupa de meia estação (algo que tape as pernas mas que não seja demasiado quente), por isso usei este molde para fazer-lhe três macaquinhos diferentes. O tamanho do molde é 1/2 ano e serve perfeitamente a este bebé rechonchudo de quase 8 meses.

I think I've found my favourite baby sewing pattern: Simplicity 8989 from 1970. Pedro is in need of some autumn clothes (something that covers up his legs but which isn't too warm) so I used this pattern to whip up three different jumpsuits for him. The pattern is sized "1/2 year" and it fits this almost 8-month-old chubby baby perfectly.




Fiz o primeiro numa popelina em xadrez escocês escolhida pelo Rodrigo (nem imaginam como ele ficou orgulhoso quando viu o resultado). O Tiago comentou que o Pedro, assim vestido, parece que vai para o boogie woogie... quando lhe disse que o molde era de 1970, ele não se mostrou nada admirado. Significará isto que o macaquinho ficou demasiado retro? Eu acho que ficou bem engraçado, com um certo ar de bibe de colégio. Agora que olho para ele, acho que deveria ter cortado aquelas presilhas na cintura em viés...

I made the first one in a plaid poplin chosen by Rodrigo (he was so proud when he saw the resulting outfit!). When Tiago first saw it, he commented that Pedro was clearly ready to go do the boogie woogie... and he wasn't surprised when I told him that the pattern is from 1970. Does this mean that the jumpsuit is too retro-looking? I think it turned out quite cute, it sort of reminds me of a public school uniform. Now that I'm looking at it again, I wish I had cut those button tabs on the bias...




O segundo foi feito com um tecido às florzinhas. Quando o mostrei ao Tiago, ele expressou as suas dúvidas... um rapaz vestido à menina? Mas acho que o Pedro aguenta perfeitamente este tecido — e vocês, o que acham?

I chose to make the second jumpsuit in a floral material. When I showed it to Tiago he had his doubts... a boy dressed up like a girl? But I think Pedro can totally pull this off — what about you, do you reckon that it's too girly?




Para fazer o terceiro usei um tecido indiscutivelmente masculino, que me foi enviado pela Trine há um ano. Também acho que deveria ter cortado as presilhas de outra maneira — neste caso, com as riscas na horizontal em vez de na vertical.

Veredito final: gosto imenso deste molde! É fácil e rápido de fazer (mesmo com costuras inglesas) e parece-me muito confortável. O Pedro aprova!

The third one was was made using a very masculine fabric that Trine sent me last year. I should have cut those button tabs differently... they would be much more effective if the stripes were running horizontally instead of vertically.

Final verdict: I love this pattern! It's easy and quick to sew (even with French seams) and it looks very comfortable. Pedro approves!

17 March 2015

Vestido de Praia :: Beach Cover-Up







Às vezes sinto-me o Grinch da confecção, sempre a pensar "tantos passos! isto demora um tempo louco! enfrentar os moldes, cortar os tecidos, decifrar instruções, engomar, coser, engomar, coser...". O que vale é que fazer roupa é um bocado como passar por um parto: custa mas, quando uma pessoa olha para o resultado, acha que tudo valeu a pena. Aquele fenómeno curioso da memória selectiva também acontece: as partes difíceis são apagadas e só nos lembramos do quanto aprendemos, de como crescemos, de como nos tornámos pessoas melhores...

É óbvio que estou a exagerar, mas lá que fazer roupa dá uma trabalheira, ai isso dá. Então, se aparentemente me queixo tanto (sempre em silêncio! ou será que não?...), porque é que insisto? Bem, a verdade é que fazer roupa dá imenso gozo. Mesmo que o resultado fique com ar de ter sido feito em casa, mesmo que haja mangas mal embebidas, franzidos que não deveriam existir, bainhas onduladas, pregas inconsistentes... Pegar num bocado de tecido e transformá-lo em algo para vestir é fabuloso. Uma pessoa sente-se poderosa, independente, criadora! Depois, já o disse muitas vezes e repito: o panorama do pronto-a-vestir na NZ é terrível. Sim, todos temos gostos diferentes, lá por eu não gostar não significa que seja feio... Pois claro. Mas este sítio onde vivo é um deserto. Sabem todas aquelas lojas que existem em qualquer rua na Europa? Cá não há uma única e, infelizmente, a alternativa é fraca. Bem, vou parar de dizer mal da NZ, que é um país encantador e cheio de gente boa. Como em Inglaterra praticamente não comprei roupa (aí por outras razões, como o clima e o orçamento), neste momento tenho muito pouca coisa para vestir. Isso significa que, se não consigo comprar, tenho de fazer.

Ora bem, os meus conhecimentos nesta área são limitados. Não sei alterar moldes, manipular pinças, corrigir ombros, etc. etc., por isso tenho de começar por fazer coisas simples. Em anos passados, fiz uns quantos vestidos (uns com mais uso que outros), uma t-shirt (que hei-de repetir porque a usei imenso), calças de pijama e roupa infantil. Tenho comprado muitos moldes antigos aqui na NZ (espero pôr uma série deles à venda em breve) e resolvi experimentar fazer um balandrau dos anos 80. Vamos então por pontos:


1. Molde
Style 4090 (© 1984). Eis o que me chamou a atenção: o colarinho e a carcela, as mangas kimono com aquela banda (na versão curta), o facto de ser largo e fresco. E o pormenor de ser fácil de fazer, claro. Os sacos de batatas não precisam de assentar muito bem porque, por definição, não favorecem ninguém. Minto: favorecem as pessoas muito magras, mas eu encontro-me a milhas dessa categoria... Mas a vida são dois dias e o Verão aqui é quente e húmido, e estes vestidos largos são frescos e confortáveis.

2. Tecido
Numa cidade perto da minha casa em Inglaterra, havia uma loja de tecidos que era uma autêntica caverna de Ali Babá. Tinha os habituais rolos de tecido, mas havia também uma série de cestos a abarrotar de retalhos, que eram vendidos a peso. Todos os tecidos nesses cestos tinham defeito (alguns pequenos, outros maiores). Este tecido cor-de-rosa com cornucópias cor-de-laranja veio de um desses cestos. É um tecido curioso: muito leve, difícil de coser até (andei às voltas com a tensão da minha máquina e com a pressão do calcador), que muda de cor quando é engomado (quando arrefece volta ao normal). Parece-me ser de algodão, porque não tem nem o cheiro nem o toque do poliester, e não é muito apropriado para um vestido porque é transparente. Mas como eu queria experimentar o molde, mas simultaneamente não me apetecia perder tempo com uma prova em pano cru, decidi usar este tecido. Acho que dá perfeitamente para ser usado como saída de praia.

3. Alterações
Normamente descrevo em pormenor as alterações que fiz porque acho que o meu texto poderá vir a ser útil a outras pessoas que comprem o mesmo molde (eu vou sempre espreitar o que já foi feito antes de comprar um molde). No entanto, como este é antigo e raro (não encontro uma única referência a ele na internet), acho que não vale a pena alongar-me. Assim que saltem à vista, as modificações que fiz foram não fazer casas nem pregar botões na carcela, cortar o vestido com um comprimento entre túnica e vestido abaixo do joelho (para tentar contra-balançar o volume) e aplicar um galão na bainha, porque o tecido ao longe parece liso e a barra ajuda a cortar esse efeito.

4. Notas finais
Em relação às fotografias... há qualquer coisa de ridículo nisto de nos pormos a fazer poses em frente à máquina para mostrarmos a roupa que fizemos e depois publicarmos as imagens na internet. Há quem o consiga fazer muito bem, mas eu? Nem por isso. Ainda pensei mostrar apenas as fotografias do vestido no manequim, mas não há dúvida de que a roupa ganha outra vida quando é vestida, por isso deixo aqui uns outtakes de uma sessão fotográfica que fizemos em cima de uns fardos de palha, durante as nossas férias na costa este da NZ.

Enfim. Voltando ao vestido, é um saco de batatas muito confortável e vou voltar a fazê-lo, mas para a próxima num tecido melhor. 


Sometimes I feel like I'm the Grinch of dressmaking: I'm always thinking things like "so many steps! I can't believe this takes sooo looong! all this dealing with the paper patterns, cutting fabric, deciphering instructions, press, sew, press, sew...". But sewing clothes is a bit like going through labour —it's painful but when you look at the result, you feel like it was all worth it. That curious phenomenon of selective memory also occurs: all the difficult bits are wiped out and you only recall everything you've learned along the way, how much you've grown as a human being, how you're a much better person now...

I'm kidding, of course, but let's all agree that making clothes is indeed a lot of work. So if I keep whining about it (in silence! or maybe not?...) why do I insist on doing it? Well, the fact is that making clothes is great. Even if the resulting garments look homemade, if the sleeves aren't properly set in, if you can spot the odd puckering, if the hems are a bit wavy, if the pleats are inconsistent... Taking a flat piece of fabric and turning it into something you can actually wear is fabulous. You feel powerful, independent, the creator of something! In addition to this and as far as I'm concerned, shopping for clothes in NZ is hard. I know we've all got different tastes and I don't want to say bad things about NZ, as it's a wonderful country filled with good people. But I haven't bought new clothes for years so, at the moment, I haven't got much to wear. That means that, if I can't buy, I must sew.

Well, my skills in this area are very limited, I can't alter a pattern and I am incapable of shifting darts, correcting shoulders, etc. etc., so I have to start by making simple clothes. In past years I've sewn a few dresses (some of which have been worn more than others), a t-shirt (which I must make again because I wore that one until it almost fell apart), pyjama bottoms and children's clothes. I've been buying lots of vintage patterns (I'm hoping to put some up for sale soon) and I decided to try making a 1980s potato sack. Let me tell you all about it:

1. Pattern
Style 4090 (© 1984). Here's what caught my eye: the collar and placket, the kimono sleeves and that band (in the shorter version of the sleeves), the fact that it's loose and therefore cool. And, of course, the fact that it's easy to sew. Potato sacks don't have to fit very well because they aren't flattering on anyone. No, I'm lying: they do look great on skinny women but since I'm miles away from that category... But you know what? Life is short and summers in NZ are hot and humid, and dresses like this one are cool and comfortable to wear.

2. Fabric
In a city near my house in England, there was a fabric shop that was a real Ali Baba cave. In addition to the usual rolls of fabric, there were these baskets with remnants that were sold by weight (every remnant had some kind of flaw). This fabric came from one of those baskets. It features orange paisleys on a hot pink background and it's a funny sort of material: very lightweight, quite hard to sew (I had to mess around with both the tension in my machine and the pressure of the foot) and it changes colour when it's pressed (as soon as it cools down it goes back to normal). It looks like cotton to me because it doesn't smell or feel like polyester, but I can't be sure, and it's not really appropriate for a dress because it's sheer. But I really wanted to try out this pattern and I wasn't feeling like making a toile out of, you know, muslin, so I went with it anyway. I think it's perfectly acceptable as a beach cover-up.

3. Alterations
Usually I write about all the alterations I've made to the pattern I'm blogging about because it might be useful to someone who's contemplating using the same pattern (before I start sewing something I'll always look for how people have interpreted the pattern in question). However, since this is an old and apparently rare pattern (I can't find anything online about it), I'll be brief: I skipped the buttons and buttonholes on the placket, I cut the length somewhere between tunic and dress (to balance out all that volume) and I stitched a jacquard ribbon near the hem.

4. Final notes
In regard to photographs... I can't help but feel that there's something a bit ridicule about this whole thing of posing for clothes photos and posting about them on the internet. Some people can get away with it — but me? Not really. So I thought of only showing you the dress on the dress form but that felt a bit short... clothes do get a new life when they are being worn by a person. So here are a couple of outtakes from a photo session we did during our holidays on a hay field.

Anyway, back to the dress. It's a very comfortable potato sack and I'll make it in a better fabric next time.

16 March 2015

Bolachas Sem Glúten :: Gluten-Free Biscuits


No mês passado fui passar uma manhã a casa de uma amiga. Como não gosto de aparecer em casa de alguém de mãos a abanar, resolvi levar-lhe umas bolachas. No entanto, a minha escolha de bolachas estava limitada por um factor importante: esta minha amiga não come coisas com glúten. 

Na minha pesquisa online de receitas de bolachas sem glúten, apareceram-me muitas hipóteses com ingredientes estranhos e difíceis de encontrar. Mas não era nada daquilo que eu estava à procura... não me apetecia nada fazer uma receita cheia de substituições — queria simplesmente umas bolachas simples e honestas. A verdade é que cá em casa temos a sorte de não nos termos de preocupar com restrições alimentares (pelo menos por enquanto), por isso toda a ciência por trás das substituições ultrapassa-me... mas conheço um caso grave e nem imagino como deverá ser difícil ter de lidar com alergias perigosas diariamente.

A certa altura deparei-me com esta receita da Martha Stewart. Foi perfeita para a ocasião porque não utiliza farinha de trigo, só aveia, e as bolachas são deliciosas. Deixei de fora as passas e o extracto de baunilha e certifiquei-me de que as bolachas ficaram bem cozidas antes de as tirar do forno (eu normalmente tenho tendência para cozer de menos as bolachas, porque gosto delas relativamente moles, mas estas desfazem-se se não ficarem bem cozidas). 

Na semana passada voltei a fazê-las, desta vez para uma senhora que está muito doente. E, mais uma vez, apercebi-me da razão pela qual gosto tanto de oferecer coisas feitas em casa. Há um envolvimento e um empenho dificilmente equiparáveis ao acto de comprar algo já feito. Claro que não temos necessariamente de fazer bolachas — pode ser uma carta, um desenho, um ramo de flores, uma almofada de alfazema. Ao oferecermos algo feito por nós, estamos a oferecer uma pequena parte de nós próprios. E é isso que torna o presente tão especial.


Last month I spent a morning at a friend's house. Since I don't like showing up at someone's door without something on my hands, I thought I'd bake her some biscuits. However, my choice of biscuits was limited by a very important factor: my friend doesn't eat gluten.

While I was searching online for a gluten-free recipe, I stumbled upon many options with strange or hard to find ingredients. But that wasn't what I was looking for. I didn't want a recipe full of substitutions — I just wanted to bake simple, honest biscuits. In our family we're incredibly lucky not to have to deal with any allergies (at least for now) so the whole science behind substituting ingredients is very foreign to me... but I do know of one serious case and I can't even imagine what it must be like to have to deal with dangerous allergies everyday.

Eventually I came across this Martha Stewart recipe. These cookies are wonderful! I left out both the raisins and the vanilla extract and I made sure the cookies were fully cooked before I took them out of the oven (usually I tend to under-bake cookies because I like them on the softer side but these are too crumbly if they're not well done).

Last week I made them again, this time for a lady who is very sick. And I found myself reflecting once again on why I love giving away homemade things. When we make something for someone with our own hands, there's a special involvement and effort that are hard to compare with something bought in a shop. Of course you don't have to bake if you're not into that —you can write a letter, make a drawing, put together a simple bouquet of flowers, sew a little lavender sachet. When you give away something made with your own hands, you're of giving away a small part of yourself. And that's what makes it so special.

13 March 2015

Coser para Raparigas :: Sewing for Girls






A Patrícia, que escreve o blog Pequeno Mundo a Três e que organizou o nosso movimento de coser por uma boa causa, é mãe de duas pequenitas: uma com três anos e outra que irá nascer muito em breve. Lembrámo-nos de a surpreender com uma espécie de baby shower virtual, em que cada uma de nós escolheu fazer uma ou mais peças para o bebé, para a irmã mais velha e/ou para a mãe.

Eu fiquei bastante entusiasmada com esta oportunidade de fazer roupa a condizer para as duas irmãs. Gosto muito de coser para os meus rapazes mas, digam o que disserem, coser para raparigas é muito mais giro! 

A minha selecção do tecido e dos modelos não foi imediata, porque nem todos temos o mesmo gosto e tive medo de que a Patrícia não se revisse nas minhas escolhas... Depois de muitas indecisões, resolvi fazer como se fosse para mim e escolhi uma popelina com um padrão muito veranil (espero que a Patrícia não ache aquele amarelo-limão-quase-fluorescente e aquele roxo demasiado avant-garde para um bebé) e dois modelos diferentes de macaquinhos. 

O molde do macaquinho de bebé vem na revista finlandesa Ottobre 3/2011. Já o tinha feito no tamanho 9 meses para umas gémeas (aqui), mas desta vez experimentei fazê-lo para 3 meses. Acrescentei um vivo no mesmo tom de amarelo do tecido e cosi tudo com costuras inglesas.

O molde do macaquinho de criança vem na Burda Style Kids 3/2014 e parece-me ideal para levar para a praia ou para brincar ao ar livre num dia de muito calor. Andei à procura de um cordão amarelo para a cintura mas, como não consegui encontrar nada de jeito, resolvi utilizar a mesma fita de viés que usei para fazer os vivos do macaquinho de bebé. Foi a primeira vez que usei um molde da revista Burda e, passada a confusão inicial, a coisa até nem correu mal.

Adorei fazer estas duas peças e vou continuar a fazer roupa para raparigas sempre que tenha oportunidade para isso. Muitos parabéns, Patrícia, espero que gostes dos nossos presentes!

Não deixem de espreitar tudo aquilo o que a Rita, a Marta, a Ana Sofia, a Inês, a Carla, a Soraia, a Maria João, a Sara e a Magda fizeram!


Patricia —who writes the blog Pequeno Mundo a Três and who organised our sewing for charity last Christmas — is the mother of two little girls: a 3-year-old one and a little baby who is about to be born. We thought we'd surprise her with a kind of virtual baby shower, where each of us would sew a few gifts for the baby, the older sister and/or the mum.

I was pretty excited about this chance to sew matching clothes for two sisters. I love sewing for my boys but, let's face it, sewing for girls is a lot more fun!

I had some trouble selecting both the fabric and the patterns... Because we humans don't all share the same taste, I was afraid that Patricia wouldn't like my choices. After much indecision I just went with my gut and picked a floral poplin in bright colours (I'm hoping that Patricia won't find that almost-neon-yellow and that purple too avant-garde for a baby) and two different styles of playsuits.

The pattern for the baby playsuit is from the Finnish magazine Ottobre 3/2011. I'd already sewed it once in size 9 months for baby twins (blogged) but this time I went with the 3 months sizing. I added piping in the same acid yellow that's featured in the fabric and I French seamed everything.

The pattern for the toddler playsuit is included in Burda Style Kids 3/2014 and I think it's perfect for a trip to the beach or for playing outdoors in a hot day. I searched for a yellow cord for the waist casing but couldn't find anything suitable, so I went with the same bias tape I used to make the piping for the baby playsuit. It was the first time I tried sewing from a Burda pattern and as soon as I conquered my fear, everything went quite smoothly.

Don't forget to check out what RitaMartaAna Sofia, InêsCarlaSoraiaMaria João, Sara and Magda have made!

10 March 2015

Me @ Faça Fácil Costura Profissional




No último número da revista Faça Fácil Costura Profissional há uma pequena entrevista comigo. Fiquei muito contente por ter recebido este convite e gostei imenso de ver o resultado. Muito obrigada à equipa da Faça Fácil!

There's an interview with me in the last issue of the Portuguese magazine Faça Fácil Costura Profissional. I was very happy to get this request and I love how it turned out. Thank you to everyone at Faça Fácil!

06 March 2015

Costuras Inglesas :: French Seams


Hoje vou mostrar-vos como eu faço costuras inglesas. Costuras inglesas (curiosamente, em inglês chamam-se French seams) são costuras que são cosidas duas vezes: primeiro pelo direito e só depois pelo avesso, o que significa que as extremidades do tecido ficam escondidas. Dão mais trabalho do que as costuras normais, mas o resultado é resistente e muito elegante. Resultam bem em linhas direitas ou ligeiramente curvas e são especialmente indicadas para tecidos transparentes, mas eu, desde que aprendi a fazê-las, uso-as sempre que posso.

Today I'm going to show you how I sew French seams. French seams are sewn twice: first on the right side of the fabric and then on the wrong side of the fabric, which means that the raw edges get completely enclosed. There are a bit more work than regular seams but the result is hardwearing and very elegant. They work well in either straight or slightly curved lines and they're especially suited for sheer fabrics, but ever since I learned how to make them, I use them at every opportunity.

1. Visto que as costuras inglesas são compostas por duas costuras, há que começar por calcular os dois valores/margens de costura. Gosto que a segunda costura fique com 0,5 cm (aprox. 1/4''), por isso, para ficar a saber o valor da primeira costura, subtraio este número (0,5 cm) ao valor de costura original. No caso deste vestido, os valores de costura são 1,5 cm, por isso tenho de fazer a primeira costura com 1 cm e a segunda com 0,5 cm. Em polegadas: costura original 5/8'', primeira costura com 3/8" e segunda com 1/4''.

1. Since French seams are made of two seams, first you must calculate your two seam allowances. I like for the second seam to measure 0,5 cm (1/4'') so, in order to find out the first seam allowance, I subtract this number (0,5 cm or 1/4'') to the original seam allowance. In the case of this dress, the original seam allowance was 1,5 cm (5/8''), which means that I must sew the first seam 1 cm  (3/8'') from the edge of the fabric and the second seam 0,5 cm (1/4'') from the edge.



2. Montar a peça avesso com avesso (com o direito para fora — pode parecer contra-intuitivo, mas é assim que funciona) e colocar alfinetes. Coser a primeira costura com ponto corrido apertado (neste caso escolhi 2.0). Passar a ferro a costura tal como foi cosida (isto ajuda a estabilizar os pontos e faz com que as costuras fiquem mais direitas e bem acabadas).

2. Assemble the piece with wrong sides together (the right side of the fabric should be facing you —  this may seem counter-intuitive but it's just how it works) and pin in place. Sew the first seam with a running stitch and a short stitch length (for this dress I chose 2.0). Press the seams as they have been sewn (this stabilises the stitching and gets rid of any puckering).



3. Aparar a extremidade do tecido o mais próximo possível da costura (cerca de 2 mm).

3. Trim the seam allowances as close to the stitching line as you can (about 2 mm or a scant 1/8'').



4. Abrir as costuras com o ferro (o facto de as costuras serem tão estreitas dificulta bastante o processo, por isso às vezes salto este passo).

4. Press the seam allowances open (the fact that the seams are now so narrow makes this hard so I sometimes skip this step).



5. Virar a peça para o avesso, alinhar bem as costuras e passá-las a ferro. 

5. Turn the piece inside out and then fold the seams with right sides together and press.





6. Coser a 0,5 cm (1/4'') da extremidade do tecido. Voltar a engomar as costuras. No caso deste vestido, depois tombei as costuras na direcção das costas. Já está!

6. Sew 0,5 cm (1/4'') from the edge of the fabric. Press again. In this particular dress, I then pressed the seams towards the back. That's it!

04 March 2015

Coser por uma Boa Causa :: Sewing for a Good Cause



Por altura do Natal passado, a Patrícia desafiou um grupo de bloggers portuguesas a coser por uma boa causa. Mais concretamente, a ideia foi oferecermos uma série de peças feitas à mão à Mums & Kids, uma instituição que acolhe mães e crianças em situação de risco e exclusão social. 

A Patrícia criou uma tabela com os nomes e idades das crianças em questão, para que pudéssemos fazer algo personalizado para o(s) destinatário(s) que escolhêssemos. Quase todas fizeram roupa (peças fantásticas, espreitem a lista abaixo para verem tudo em pormenor) mas eu, como estava preocupada com o envio dos presentes da NZ para Portugal — especialmente demorado durante o mês de Dezembro — e dado que sou muito lenta a fazer roupa, resolvi fazer umas coisas diferentes. Visto que sou ligeiramente obcecada com o sono infantil, lembrei-me de fazer algo que proporcionasse conforto e segurança àquelas crianças que já passaram por situações tão difíceis durante as suas pequenas vidas. O Rodrigo adora bonecada na hora de ir para a cama, por isso resolvi  fazer fronhas divertidas para os mais velhos (5, 3 e 2 anos) e uma manta quente e suave para um dos bebés (8 meses).

Todos os dias agradeço a vida abençoada que tenho e confesso que me sinto mal por partilhar tão pouco com os outros. Sei que estes presentes são apenas uma gota num vasto oceano de necessidades, mas fico contente por a Patrícia nos ter dado esta oportunidade de trazer um sorriso à vida de algumas crianças e das suas mães.

Para verem as outras contribuições, espreitem aqui:

Rita Pirolita (infelizmente a Carla não conseguiu escrever um post sobre isto porque perdeu as fotografias do casaco que fez)


Last Christmas, Patrícia challenged a group of Portuguese bloggers to sew for a good cause. The idea was to give a few handmade things to Mums & Kids, a shelter for mothers and children at risk. 

Patrícia created a spreadsheet with the children's names and ages so that we could all pick a child and make them something that would suit their age and gender. Almost everyone sewed clothes (amazing pieces of clothing, by the way... check out the list below) but because I am such a slow dressmaker and I was concerned about shipping times — NZ post is exceptionally slow during the holiday season —, I made them something a bit different. Since I'm slightly obsessed with kids' sleeping patterns, I thought I'd sew something that could bring comfort and security to these children who've already been through so much. Rodrigo loves being surrounded with stuffed animals and playful fabrics at bedtime so I decided to make fun pillowcases for the older children (5, 3 and 2 years old) and a warm and snuggly quilt for one of the babies (8 months old).

Everyday I give thanks for my blessed life and I confess that I feel bad for sharing so little with others. I realise these gifts are just a drop in the vast ocean of need but I'm glad that Patricia has given us this chance for bringing a smile to a few mothers' and children's lives.

Check out the other contributions here:

Rita Pirolita (unfortunately Carla has lost the pictures of the coat she made so she couldn't blog about it)

02 March 2015

Alfineteiro Magnético :: Magnetic Pin Holder



Há muito tempo que me apetecia ter um alfineteiro magnético, mas nunca consegui encontrar um de que gostasse (os clássicos fazem-me sempre lembrar sabonetes). Um dia vi uma imagem de um prato transformado em alfineteiro (terá sido numa revista da Martha Stewart?) e apeteceu-me logo pôr essa ideia em prática. Anos mais tarde, finalmente fi-lo!

É facílimo: basta comprar dois ou três ímans fortes e colá-los com Super Cola 3 debaixo de um prato ou de uma pequena tigela. Fiz dois: um para estar sempre ao lado da máquina de costura e outro para cima da tábua de engomar ou da mesa de corte. Estou rendida ao alfineteiro magnético!


I've wanted a magnetic pin holder for ages but I've never managed to find an attractive one (the classic shape always makes me think of soap). One day I saw a picture (in a Martha Stewart magazine?) of a saucer turned into a pincushion and I immediately thought I'd put that idea into action one day. Years later, I've finally done it!

It couldn't be simpler to make: just buy two or three strong magnets and glue them under a saucer/small bowl with Super Glue. I made two: one lives next to the sewing machine and the other one travels from the ironing board to the cutting table. I'm loving my magnetic pin holders!

26 February 2015

Comidas e Bebidas Infantis :: Kids' Party Food and Drink












No meu último post contei-vos como montei a festa do Rodrigo, hoje vou falar-vos na comida. Devo dizer que, no que toca a festas infantis, eu parei nos anos 80. Não há grandes sofisticações por aqui — as minhas escolhas recaíram em memórias de infância e em sugestões de algumas amigas sensatas com filhos mais velhos que os meus, bem como naquilo que o Rodrigo me pediu. A saber:

- sanduíches de queijo: como cá não há daquelas bolinhas enfarinhadas óptimas, usei pão de forma e cortei as sanduíches com um cortador de bolachas em forma de flor;

- salame de chocolate (uma iguaria desconhecida aqui na NZ): em vez de fazer um rolo grande, fiz três pequenos, que depois cortei em rodelas e servi em cima de formas de papel (segui esta receita com pequenas alterações);

- bolachas em forma de número 3: experimentei uma receita nova de bolachas de manteiga e gostei mais desta do que daquela que usei para as bolachas de Natal. Como cobertura, fiz uma pasta de icing sugar e água e depois salpiquei-as com sprinkles coloridos.

- espetadas de morangos e mirtilos;

- quartos de gelatina de laranja: o grande clássico das festas infantis dos anos 80. Lembram-se disto? A minha mãe fazia-os sempre. Cortam-se as laranjas ao meio e, depois de espremidas, enchem-se com gelatina acabada de fazer. Põem-se no frigorífico e, no dia seguinte, cortam-se aos quartos usando uma faca bem afiada. Na semana anterior à festa experimentei fazer uma versão mais saudável com sumo de laranja e gelatina natural em pó (cá não há folhas) e ficou horrível (juro que sabia a bife), por isso acabei por usar gelatina de pacote;

- uma taça de smarties;

- sumo de laranja (feito com todas aquelas laranjas que espremi para fazer os quartos de gelatina);

- sumo de melancia e framboesa (receita deste livro — obrigada, Soraia, pela sugestão);

- água.

Para a festa cá em casa, o Rodrigo pediu-me um "bolo amarelo com morangos", por isso fiz-lhe um pão-de-ló coberto com chantilly caseiro e morangos. Mas quem escolheu o bolo para levar para a escola fui eu! Fiz-lhe um bolo de chocolate e laranja numa forma que aluguei na padaria aqui da vila, e depois cobri-o com smarties (a ideia veio daqui). Segui esta receita mas acrescentei mais duas ou três colheres de sopa de icing sugar à cobertura, de maneira a torná-la mais espessa (para que os smarties se aguentassem no sítio).


OK, so I've told you about Rodrigo's party set up — now let's hear about the food and drink! I must say that when it comes to children's parties, I'm proudly stuck in the 80s. There are no elaborate affairs around here — I based my choices on childhood memories and suggestions given to me by no-nonsense friends who have older kids, as well as Rodrigo's requests. Here goes:

- cheese sandwiches: just sliced bread and cheese, which we then cut out using a flower shaped cookie cutter; 

- chocolate salami: this is a childhood staple in Portugal — you make a dough using powdered chocolate, egg yolks, sugar and Marie biscuits, you shape it like a log before putting it in the fridge for at least 12 hours and then you slice it up. I made 3 slim logs instead of a thick one and placed each small rounded slice on a mini muffin paper case;

- number 3 biscuits: I tried out a new recipe for sugar biscuits and liked it much more than the one I used for my Christmas biscuits. I iced them with a simple paste of icing sugar and water and then we scattered lots of colourful sprinkles on top.

- strawberry and blueberry skewers;

- orange jelly quarters: this was a great classic in Portuguese kids' parties back in the 80s. My mother always made them! You cut the oranges in half, squeeze out the juice and then fill the empty shells with hot orange jelly. Then they go in the fridge to set and the following day you slice them up into quarters. A few days before the party I made a trial run with a healthy version of the jelly (real orange juice and powdered unflavoured gelatine — I couldn't find any gelatine leaves) and it turned out absolutely revolting (it literally tasted like beef), so I just went with the packaged stuff instead [jell-o].

- a bowl of smarties;

- orange juice (from all those oranges I used for the jelly quarters);

- watermelon and raspberry juice (recipe from this book — thank you, Soraia, for the suggestion);

- water.

Rodrigo asked for a "yellow cake with strawberries" so I made him pão-de-ló (Portuguese sponge cake) covered with whipped cream and topped with a handful of strawberries. However, the cake he took to preschool was chosen by me... and I went to town with it! Inspired by this cake, I rented a number 3 tin from our local bakery and baked a chocolate and orange cake, which I then covered in smarties. I followed this recipe but added another 2 or 3 tablespoons of icing sugar to the chocolate topping (in order to make it thicker so that the smarties would stick properly to the cake).

(photos: © Constança Cabral)

23 February 2015

Festa dos 3 Anos :: 3rd Birthday Party









Para a festa dos 3 anos do Rodrigo fiz um pequeno arraial aqui no nosso jardim. O tempo não estava nada de especial — se tivesse sido em Portugal, acho que nunca teria feito a festa lá fora, mas visto que estes kiwis são bastante mais resistentes ao vento e às temperaturas baixas do que nós portugueses, resolvi arriscar e acabei por não me arrepender. As crianças divertem-se sempre muito mais fora de casa, não acham?

O nosso jardim é a descer e tem vários patamares. No primeiro criei um recanto com colchões, almofadas, poufs, um tapete e alguns brinquedos e livros. No patamar seguinte coloquei duas mesas, uma com comida e a outra com bebidas (amanhã mostro-vos os comes e bebes em pormenor). As decorações de papel são todas portuguesas (as mesmas que usei quando fiz um Santo António dentro de casa, lembram-se?).

Foi uma festa bastante simples mas muito colorida, com tudo feito em casa conforme os gostos e pedidos do Rodrigo. Ele estava entusiasmadíssimo e fartou-se de ajudar, gostei imenso de assistir à alegria e ao empenho dele. Para o ano há mais!


Rodrigo's 3rd birthday party was a Portuguese-inspired garden party at home. The weather wasn't great — had this been in Portugal I would never had set up everything outside but since Kiwis are much more tolerant of wind and low temperatures than us Portuguese, I decided to risk it and I'm so glad I did. Children always have more fun outdoors, don't you think?

Our garden is on a slope and it has different levels. On the first level I created a sitting and playing area with a couple of mattresses, some cushions, bean bags, a rug and a few toys and books. On the next level I placed two tables with food and drinks (I'll tell you more about that tomorrow). The paper decorations are all Portuguese (the same ones I used when I once celebrated St. Anthony's day indoors, do you remember?).

It was a simple affair but a colourful one. I made everything according with Rodrigo's tastes and requests, he was so excited! He was so helpful, committed and happy, it was truly lovely to watch. 

(photos: © Constança Cabral)

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