Durante as últimas semanas andei ocupada a fazer o vestido de baptizado do Pedro — aliás, todo o "ensemble", porque fiz o vestido propriamente dito, o vestido interior, a touca e o babete (este último não aparece nestas fotografias porque foi feito na véspera do grande dia e, mal foi posto a uso, ficou imediatamente sujo).
Foi o projecto mais elaborado, ambicioso — e, diria até, um bocadinho presunçoso — em que já me meti. Entrei nele com enormes doses de entusiasmo e inconsciência, sem ter propriamente elaborado um plano de acção meticuloso. O resultado é um vestido que me satisfaz cerca de 80%, mas no qual tenho bastante orgulho. Tentei ser o mais perfeita possível na execução e acabamentos — dentro das limitações da minha máquina de 1974, claro. Gosto do vestido? Sim. Adoro o vestido? Não. Gostei de ver o Pedro a ser baptizado com ele? Delirei!
Over the last few weeks I used up every free minute of my time to sew Pedro's christening gown — actually, I should write "christening outfit", really, because I sewed the dress, the slip, the bonnet and even a bib (which isn't pictured here because I sewed it the night before of the big event and it became soiled two seconds after I put it on Pedro).
This was the most elaborate, ambitious — and even a bit presumptuous — project I've even got myself into. I embarked upon it with a great dose of enthusiasm and naivety, without even having set a meticulous plan of action. The result is a dress that I'm 80% happy with but one that, nonetheless, fills me with a sense of pride. I tried to be as neat as I could in terms of constructing and finishing — within the limitations of my 1974 machine, that is. Do I like the dress? Yes, I do. Do I love the dress? No, I don't. Did I enjoy watching Pedro be christened while wearing it? That gave me the greatest pleasure!
Ora então vamos por partes:
1. Motivação
O Tiago e eu fizemos questão de que o Pedro fosse baptizado no país em que nasceu, mas havia o problema do vestido. Era impensável pedir à nossa família que nos enviasse um vestido antigo pelo correio (e se se perdesse?); por outro lado, nem me passou pela cabeça comprar um vestido novo. Posto isto, a única hipótese era ser eu a fazer o vestido. Há um ano assisti a uma aula de "heirloom sewing" na loja Bernina aqui da zona, onde aprendi as técnicas-base de coser rendas e entremeios bordados. Esta primeira abordagem foi fundamental para desmitificar todo o mundo do "heirloom sewing" e proporcionou-me algumas ferramentas para depois aprofundar o assunto sozinha. Durante alguns meses pesquisei vestidos antigos e técnicas modernas e, a dada altura, resolvi não pensar mais e simplesmente comecei a fazer o vestido.
Let me tell you more:
1. Motivation
Tiago and I were both extremely keen that Pedro should be baptised in the country where he was born... but what about the dress? I didn't have the guts to ask for the family gown to be sent through the post (what if it got lost?) and I didn't consider even for one minute the possibility of buying a new dress. So there was just one option: I had to make it myself. Last year I took an heirloom sewing class at my local Bernina shop, where I learned the basics about sewing laces and embroidered trims. This class was great for demystifying the whole "heirloom sewing" world and gave me a few tools to seek more information on my own. For a few months I researched old dresses and modern techniques and then there came a point where I just had to stop looking and actually start sewing.
2. Planos e materiais
Pensei em algumas opções para o vestido e fiz vários esboços, mas o desenho final acabou por ser totalmente determinado pelas limitações dos materiais ao meu dispôr. Queria que o vestido reflectisse a herança cultural do Pedro e que nele constassem elementos portugueses, neozelandeses, de família, de amigos, enfim. Estava determinada a bordar, a branco, um motivo central com corações e flores de Viana e fetos nativos da Nova Zelândia mas, com grande pena minha, isso não chegou a acontecer. Talvez se tivesse começado a fazer o vestido três meses mais cedo...
Aqui na Nova Zelândia comprei a cambraia branca, assim como o entremeio de renda e o ajour. O folho em bordado inglês foi-me dado pela minha avó e a renda com que debruei o decote e os punhos foi-me oferecida, há uns anos, por uma amiga brasileira. Os dois outros entremeios bordados foram comprados online. Fiz nervuras no peito e nas mangas com uma agulha dupla e utilizei sempre linha de algodão Mettler 60.
2. Plans and materials
I thought about a few different options but the final design ended up being entirely determined by the limited materials I had at hand. I wanted the dress to be a reflection of Pedro's cultural heritage, with elements that would reference Portugal, New Zealand, family and friends. I was determined to embroider, in white, a central motif with Portuguese folk hearts and flowers and NZ native ferns, but unfortunately I ran out of time. Maybe if I had started working on the dress three months earlier...
Here in NZ I bought the white lawn as well as the lace insertion and the entredeux. The broderie anglaise edging was given to me by my grandmother and the lace edging (or is it tatting?) was a present from a Brazilian friend many years ago. The other two embroidered insertions were bought online. I used a double-needle to make narrow pintucks on the centre front of the dress and on the sleeves and used Mettler 60 cotton thread throughout.
3. Molde
O molde que usei como base foi o Simplicity Babies 2629, vista A com mangas C (este molde é uma reprodução de um molde de 1948, e eu já o tinha experimentado há uns anos). Comecei por fazer um ensaio para ver se o tamanho 6 meses servia ao Pedro e, visto que ficava mesmo à medida, aumentei o comprimento da saia e avancei para o vestido de baptizado. Mas depois as coisas começaram a complicar-se... Quando já ia a meio do vestido, resolvi começar de novo. Apercebi-me de que seria melhor de fazer um vestido ainda mais comprido, de forma a compensar a quantidade de entremeios que resolvi usar (admito que fui gulosa e optei pela bordagem "more is better" em vez do meu habitual "less is more") e completamente aberto atrás (o molde original tem apenas uma pequena abertura atrás, mas cheguei à conclusão de que não seria nada prática para vestir e despir, nem tão pouco eficaz... o facto de o vestido ser todo aberto atrás permitiu-me pegar no Pedro ao colo de maneira a que a frente do vestido continuasse com um bom cair).
3. Pattern
I based the dress on Simplicity Babies 2629, view A with sleeves C (this pattern is a reproduction from a 1948 one and I had already used it a few years ago). I started by sewing up a test version in order to check the fit of size 6 months and, since it fit well, I just traced a longer skirt and started making the christening gown. But then things got a little more complicated... When I was already half-way through, I decided to start over. I realised that I should make an even longer dress in order to balance out the amount of insertions I ended up including in the fancy band (I admit I was greedy in wanting to show off all of my pretty trims) and one that had a completely open back (the original pattern features a short placket on the back but I quickly realised that such a small opening wouldn't be very practical when it came to dress and undress the baby, nor would it be very effective... an open back would allow me to handle Pedro much more easily and would prevent bunching up the skirt... I really wanted that fancy band to drape beautifully!).
4. Técnicas
Comecei por fazer as nervuras com uma agulha dupla e um pé calcador especial (útil, mas nem por sombras obrigatório) em rectângulos de tecido (um grande para o corpo e dois mais pequenos para as mangas), e só depois usei o molde para cortar as peças. As rendas e os bordados foram aplicados com um pé calcador normal, alternando os pontos corrido e zigzag. Consegui utilizar costuras inglesas em tudo, até na inserção das mangas, o que me deixou muito contente. A certa altura debati-me com o facto de as costuras estarem a ficar todas repuxadas mas, depois de ter limpado e oleado a máquina, mudado de agulha e voltado a enfiar a linha, o problema desapareceu. Apesar de gostar muito da minha máquina quarentona, houve alturas em que desejei ardentemente ter uma máquina moderna toda xpto, não vou mentir. Continuo a achar que há máquinas antigas bestiais (e a minha Bernina Record 830 é uma delas), mas para este tipo de "costura fina", suspeito que uma máquina moderna deva dar um jeitão.
4. Techniques
I pintucked the fabric using a double-needle and a special presser foot (which was useful, but not compulsory) before I even cut out the pattern, which means that I roughly cut one large and two smaller rectangles, pintucked them and only then did I cut out the pattern pieces for the front and for the sleeves. I sewed the laces, the entredeux and the embroidered trims with a regular foot, alternating between straight and zigzag stitching. I managed to French-seam the entire thing, even the sleeves, and that made me feel very happy and smug. I did struggle with puckered seams for a while but after I cleaned and oiled the machine, changed the needle and rethreaded it, things got much easier. Even though I love my 41-year-old machine, there were times when I felt a burning desire for a modern, top-of-the-line sewing machine, I'm not going to lie. I still believe that there are some wonderful vintage sewing machines out there (and my Bernina Record 830 is definitely one of them), but for this kind of "fine sewing" I suspect a modern machine must come in handy.
5. Acessórios
O vestido interior foi feito com base no mesmo molde, desta vez a vista F com algumas modificações. A touca é baseada num modelo antigo, também com modificações. Para ficar a condizer com o vestido, cosi-lhe umas quantas nervuras e apliquei-lhe um dos entremeios bordados que usei na barra da saia, assim como a mesma renda com que debruei o decote e os punhos.
5. Accessories
The slip was cut using view F the same pattern, with a few alterations. The bonnet was based on a vintage pattern, with a few tweaks of my own. In order for it to match the dress, I included one of the trims I used on the skirt, as well as a few pintucks and the same lace edging used on the collar and sleeves.
6. Balanço
O que me aborrece:
- O facto de o entremeio mais largo da barra do vestido não ser tão branco como os restantes (o quarto onde coso é um bocado escuro e só me apercebi do contraste quando vi estas fotografias).
- Não ter conseguido fazer o famigerado bordado — o vestido foi todo desenhado em função desse bordado e, se tivesse decidido logo à partida que não teria tempo para o fazer, acho que teria desenhado um vestido diferente.
- Ter estado tão limitada com os materiais.
- Ter cosido o vestido à pressa (por culpa minha) e com inúmeras e frustrantes interrupções (perfeitamente normais... fazem parte de ter dois filhos pequenos).
O que me alegra:
- Fiz um vestido de baptizado!
- Esforcei-me imenso e fartei-me de aprender.
- A filha de uma amiga minha ganhou dois vestidos novos (depois mostro-vos os ensaios em pormenor noutro post).
Agora estou a precisar de umas férias!
6. Final assessment
Things that bother me:
- The fact that the widest eyelet insertion on the fancy band is not as white as the other trims (my sewing room is rather dark and I only noticed the contrast when I looked at these photos).
- Not having done the whitework — especially because that was the "raison d'être" of this dress. Had I decided straight away that I wouldn't have time to make the embroidery, I think I would have designed a different dress.
- Being so limited by the materials I had.
- Having sewn the dress in such a race against time (my fault entirely) and the constant and oh so frustrating interruptions (that are perfectly natural and come with having two young children).
Things that make me happy:
- I made a christening gown!
- I strove to do my best and learned so much.
- My friend's little daughter will get two new dresses (I'll talk about my trials runs in detail on another blog post).
Now I need a break!